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16 mar 2021

O avião, o céu e eu – Entrevista com a piloto Juliana Torchetti

Piloto agrícola, mãe e youtuber, Juliana Torchetti se conectou com a área agrícola  

Decidida e dona de uma personalidade marcante, Juliana Aparecida Torchetti Coppick, piloto comercial com habilitação para multimotores, voo por instrumentos, instrutora de voo e piloto agrícola, conta como concilia a carreira com a vida de casada e a maternidade. Como se não bastasse a rotina dinâmica e bastante atarefada, ela ainda encontra tempo para atuar como design de interiores e ser apresentadora, produtora e diretora do canal no YouTube chamado “Volo por Veritas”, por meio do qual divide suas experiências e dá conselhos sobre a profissão. Para quem deseja atuar na área ou mesmo para quem não se imagina tirando os pés do chão, vale muito a pena assistir.

Desde quando você atua como piloto agrícola e por que optou por ingressar nessa área?

Esse desejo surgiu em 2009, quando trabalhava como instrutora de voo no Aeroclube Carlos Prates, em Belo Horizonte. Eu tive contato com os aviões de combate a incêndios, os mesmos que fazem operações agrícolas, e aprendi muito sobre a atividade.  Só que, nesta época, tive a oportunidade de trabalhar como copiloto de Boeing 737, 700 e 800, na Gol Linhas Aéreas e, depois, fui voar com o Boeing 727.200 cargueiro, na Total Cargo. Então decidi deixar esse sonho guardadinho por um tempo. Mas quando a empresa entrou em dificuldades financeiras e fui demitida, junto com inúmeros profissionais, voltei minha atenção para a agricultura. Fiz o curso em Cachoeira do Sul (RS)e consegui meu primeiro emprego no mesmo ano. Estou gostando bastante porque o piloto agrícola é mais independente, tem autonomia para tomar decisões e é um voo solo: eu, o avião e o céu. Outra razão é estar no interior do país, onde o estilo de vida combina melhor com a minha personalidade e, por ser um emprego sazonal, tenho mais liberdade de estar com minha família, cuidar do jardim e da minha horta. Eu gosto desse equilíbrio na minha vida.

É um sonho de criança ou não?

Sim. Desde que eu tinha uns 10 anos, a aviação falou alto em mim. Curiosamente, voei pela primeira vez somente aos 20 anos, quando já atuava como comissária de bordo. Até então, o mais alto que eu tinha chegado era em cima da goiabeira no quintal de casa e ficar lá em cima imaginando como era voar. Tirar um brevê é caro e, quando vi que não teria condições de pagar pelas horas de voo, virei comissária de bordo. Cheguei a tentar a aviação militar, mas, na época, mulher não podia ser piloto. É quase que irônico pensar que uma comissária não tinha experiência nenhuma de voo. No entanto, em minha primeira decolagem, tive a certeza de que era o que eu queria para a minha vida. Trabalhei na Gol de 2001 a 2007 como comissária e, em 2009, voltei para a companhia como piloto.  

Como as pessoas encaram sua opção profissional?

Normalmente, acham que é algo glamoroso. Outros acreditam que é uma profissão perigosa, mas sempre com aquele estigma de “nossa, ela é piloto”. Mas a maioria enxerga como empolgante. A aviação é uma carreira que ainda desperta curiosidade e mexe com o imaginário das pessoas, às vezes até de uma forma exagerada: pensam que todo piloto é rico, fica em hotéis caros e não é assim. Vamos para lugares incríveis, mas também vamos para outros bem precários.

Foi difícil quebrar barreiras por ser um universo predominantemente masculino?

Sinceramente, não. Sou uma pessoa que não levanta nenhuma bandeira feminista mesmo porque acho que o movimento já aconteceu há muito tempo. Ele nos trouxe inúmeros benefícios e estou falando sob a perspectiva da aviação. Tivemos aviadoras pioneiras, que abriram caminhos, como Anésia Pinheiro Machado, Teresa Di Marzo, Amélia Earhart e Bessie Coleman, que teve grande projeção nos EUA por ser a primeira afrodescendente. As mulheres sempre estiveram na aviação, desde a época dos balões dirigíveis.  Eu não sofri nenhuma barreira, terminava um curso e já começava um emprego e conheço homens que não tiveram oportunidade na área. Nunca tive um empregador que deixou de me contratar porque sou mulher. Penso que, se um dia acontecer algo assim na minha vida, eu é que não vou querer trabalhar lá. A nossa competência fala mais alto que qualquer preconceito.

Como é a sua rotina de trabalho?

Um dia nunca é igual ao outro. Não temos um horário definido, porque dependemos do clima. Por exemplo, aqui nos EUA, onde eu estou, o meu trabalho normalmente vai de junho até setembro. Chegamos na pista antes do nascer do sol, prontos para decolar. O tempo de voo varia bastante, algumas vezes, o dia inteiro, mas tudo pode ser interrompido de repente por causa de um vento forte, umidade baixa ou temperatura alta. Em geral, são 6 meses de trabalho e 6 meses de férias, entre aspas, porque nesse período geralmente eu desenvolvo outros trabalhos, como voo de traslados ou atuo como designer de interiores. Então funciona mais ou menos assim, se fizer uma safra boa, posso me dar ao luxo de ficar parada, mas, se não for o suficiente para pagar as contas, tenho que ter outro trabalho.

É difícil conciliar sua profissão com a vida em casa, marido e filho?

É um desafio porque exige planejamento, compreensão por parte do meu marido e filho e até mesmo da família ao redor. Esse é mais um dos motivos pelos quais eu optei pela aviação agrícola, porque eu trabalho intensamente ali naqueles 6 meses, mas depois eu tenho outros 6 mais tranquila. Então eu posso ficar 4/5 meses sem ver meu filho, mas, quando o vejo, é intenso.  Meu marido também é piloto agrícola e de combate a incêndio, e temos esse entendimento mútuo da rotina. O equilíbrio nem sempre é 50/50, mas, se consegue te trazer satisfação, é sinal de que você está fazendo a opção certa.

Que culturas você já sobrevoou e em quais regiões do país?

No Brasil, eu sobrevoei cana-de-açúcar, um pouco de soja e milho. Tudo isso no Triângulo Mineiro e na região central de Goiás. Também voei um pouquinho no Nordeste, em Alagoas. Já nos EUA, eu voei muito na parte oeste e sudoeste do país. Hoje estou atuando em Illinois, Texas, Califórnia, Minnesota e Oklahoma, nas culturas de milho, soja, arroz irrigado e um pouco nas hortaliças, que é algo que eu não vejo no Brasil. 

Já passou por situações inusitadas durante o voo?

Teve uma vez, quando voava o Boeing 727em direção a Brasília, eu, como copiloto, o comandante e o engenheiro de voo vimos uma luz no céu que se aproximava da gente. Imediatamente chamei o controle, perguntei se havia algum tráfego e disseram que não. Então, a luz fez uma curva de 90 graus e sumiu. Como estávamos bem alto, não poderia ser um drone ou um brinquedo. Até hoje não sabemos o que aconteceu.

Uma outra vez, já na aviação agrícola, peguei um pássaro enorme na decolagem. Ele ficou pendurado no trem de pouso. Fiz o voo inteiro e o bicho não caiu. Quando pousei, meu ajudante explicou que era um carcará, mas ele morreu na colisão.   

Já teve uma situação também de quando eu era instrutora de voo na escola Carlos Prates e o aluno cortou o combustível por acidente. Ele fechou o registro de combustível em voo e o motor parou. Felizmente estávamos perto da pista e consegui pousar o avião com a hélice parada. Todas essas experiências me fizeram crescer como piloto e profissional.

Qual o momento mais marcante vivido por você como piloto?

Já tive alguns momentos, por exemplo, a primeira vez que levei meu filho para voar e o dia em que estava fazendo um traslado de um avião agrícola de Alagoas para Minas Gerais e, ao passar no estado da Bahia, o tempo fechou. Resultado? Precisei pousar em um aeroporto em Cipó, uma cidade pequenininha, que tinha uma pista razoavelmente boa, mas sem ninguém no aeroporto. Eu precisava sair dali e aí começou a chover e apareceu um garoto com seus 15 anos que me ajudou. Foi uma aventura e tanto, porque precisei pular um alambrado, atravessar um pasto, que tinha umas vacas meio bravas. Então, o garoto chamou o pai dele na roça, me deixaram usar o telefone e chamei um táxi. O mais interessante é que, antes de sair para esse voo, decidi colocar na minha mochila uma miniatura de avião de ferro e pensei em de repente dar de presente para alguém que encontrasse no caminho. Acabei dando para o garoto. A simplicidade daquele menino e a boa vontade dele em me ajudar foi sem dúvida um momento muito especial.  

O que uma pessoa precisa fazer para se tornar um piloto agrícola?

Bom, se a pessoa quiser trabalhar de forma remunerada, precisa fazer o curso de piloto privado e, depois, tirar a carteira de piloto comercial, que envolve parte teórica e prática, acumular pelo menos 370 horas de voo e aí, sim, ingressar numa escola de aviação agrícola. Além disso, é preciso fazer exames médicos.

Que conselho você daria para quem deseja seguir a profissão?

A aviação é uma atividade que nos testa desde o início, tanto nossa persistência, quanto a vontade de seguir. Eu não estou falando só dos testes práticos e teóricos, mas os da vida.  Não é uma profissão fácil, e as coisas não acontecem da noite pro dia. É preciso ter em mente que a gente é que decide se todas as fases necessárias para entrar nessa carreira serão vistas como dificuldade ou desafio. Então, meu primeiro conselho é: persista. O segundo conselho é: aprenda com o erro dos outros, não queira ser o super-herói. A gente não precisa provar nada pra ninguém e nem competir com coisas que às vezes vão nos levar a um acidente, a uma situação desnecessária. É preciso ter juízo. E a terceira coisa é entender qual o lugar da aviação na sua vida.

Quando você criou o canal Volo per Veritas no YouTube e por quê?

Eu criei o canal em 2019 para tirar dúvidas das pessoas em relação à aviação, principalmente a agrícola. O público quer saber sobre o combustível utilizado, quanto que pode levar de carga, formação de um piloto, se a gente se aposenta mais cedo, qual avião é melhor, qual eu gosto, entre outros assuntos. E tudo isso é passado de uma forma muito natural para aproximar o público desse universo e dar a ele a oportunidade de conversar com um piloto, com alguém que é da área. O nome Volo per Veritas significa voar com verdade, pois acredito que é preciso voar por amor, não por status, dinheiro.

22 jan 2019

Safra nacional 2018/19 de algodão pode alcançar recorde de produção

Pesquisas apontam que há expectativa de recorde da produção da safra nacional 18/19 de algodão em pluma, motivada pela elevação da área semeada.   O crescimento se dá, pois, a rentabilidade do algodão é maior em relação às outras culturas concorrentes em áreas e ao ambiente favorável a serem cumpridos nos próximos anos.   O algodão era, no período de tomada de decisão 2018/2019, uma das poucas culturas com expectativas de manutenção de preços atraentes. Por isso, grande parte dos produtores aumentaram a área ou passaram a cultivar o algodão.   De acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), O Mato Grosso deve cultivar na safra 2018/12019 uma área recorde de algodão. Para a atual safra, o Imea estimou uma lavoura de 937,8 mil hectares, 18,1% maior que a anterior.   O Brasil, pelo segundo ano consecutivo, continua como o quarto maior produtor do mundo e estima-se que ele deva se tornar o segundo principal exportador, atrás apenas dos estados Unidos.  
Fonte: CEPEA

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